Relação de simpósios aprovados - 1 a 12

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

 

UNIVERSITÀ DEGLI STUDI DI PERUGIA

CILBRA – Centro Studi Comparati Italo-Luso-Brasiliani

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

 

INSTITUTO FEDERAL DE BRASÍLIA - IFB

 

 

CHAMADA DE INSCRIÇÃO DE SIMPÓSIOS

 

II Congresso Internacional

LÍNGUAS, CULTURAS E LITERATURAS EM DIÁLOGO: IDENTIDADES SILENCIADAS

 

Brasília, 16 - 18 de agosto de 2018

SIMPÓSIOS 1 A 12

 

** ATENÇÃO **

Estão disponíveis a relação de trabalhos e os resumos que vão compor os Simpósios que atingiram os critérios exigidos para a participação no Congresso:

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SIMPÓSIO 1 - MULHER E LITERATURA: VOZES SILENCIADAS, MISOGINIA E NOÇÕES DE IDENTIDADE

 

Márcia Maria de Melo Araújo, Doutora, Universidade Estadual de Goiás

Alessandra Carlos Costa Granjeiro, Doutora, Universidade Estadual de Goiás

 

E-mail para envio de propostas de comunicação: marcia.araujo@ueg.br

 

As comunicações a comporem o presente grupo de trabalho deverão situar-se no âmbito dos estudos a respeito das vozes silenciadas, da misoginia, das expressões de vozes periféricas e das diversas relações de exclusão social a partir das produções literárias escritas a respeito de personagens que habitam as regiões periféricas do mundo e os reflexos provocados por essas formas de exclusão nos estudos literários. O pressuposto é que tal enfoque questiona os limites da definição da literatura e abre possibilidades para se refletir sobre novas territorialidades e novas formas de expressão artística. O objetivo principal do GT é problematizar fatores que permeiam a discussão sobre como se opera o discurso de dominação cultural e marginalização do “outro”, nas literaturas de língua portuguesa, seja ela produzida no Brasil, em Portugal, seja nos países africanos de língua portuguesa. Em outras palavras, identifica-se na relação de marginalidade, na medida em que se constitui expressão de novas territorialidades e fluxos de expressão artística, certa oposição à arte canônica reconhecida como discurso dominante. Como uma das abordagens possíveis, a literatura feminina se efetiva como uma tendência relevante de literatura marginal, visto que sua presença na história da literatura é restrita e habitualmente relacionada ao discurso misógino operado pelo logocentrismo ocidental. Cabe destacar, no plano arqueológico de pesquisa desses discursos marginalizantes as noções de identidade e desterritorialização como cruciais para a discussão sobre essas modalidades de escrita.

Palavras-chave: Identidade. Literatura. Mulher.

Referências:

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. v.1. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.

BENSUSAN, Hilan. Observações sobre a libido colonizada: tentando pensar ao largo do patriarcado. Estudos Feministas, Florianópolis, jan./abr, 2004. p.131-155.

BLOCH, R. Howard. Misoginia medieval e a invenção do amor romântico ocidental. Trad. Claudia Moraes. Rio de Janeiro: 34 Literatura, 1995.

BORDO, Susan. A feminista como o outro. Revista Estudos Feministas, 1º sem/ 2000.

BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003a.

______. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003b.

 

FONSECA, Pedro Carlos Louzada. Bestiário e discurso do gênero no descobrimento da América e na colonização do Brasil. São Paulo: Edusc, 2011.

KLAPISCH-ZUBER, Christiane. Masculino/Feminino. In: LE GOFF, Jacques; SCHMITT, Jean-Claude. Dicionário temático do Ocidente Medieval. Bauru, SP: Edusc, 2006. p. 137-149.

MCLAUGHLIN, Eleanor. Les femmes et l’hérésie médiévale: un problème dans l’histoire de la spiritualité. Consilium, III, 1976, p. 73-90.

SCHOLZ, Roswitha. O sexo do capitalismo. Teorias feministas e metamorfoses pós-modernas do patriarcado. [excertos]. Trad. Boaventura Antunes. Horleman, 2000, p. 19. Disponível em: <http://obeco.no.sapo.pt/roswitha_scholz6.htm>.

SOARES, Angélica. A paixão emancipatória: vozes femininas da liberação do erotismo na poesia brasileira. Rio de Janeiro: Difel, 1999.

SONTAG, Susan. A imaginação pornográfica. A vontade radical: estilos. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

TIBURI, Márcia. Toda beleza é difícil: esboço de crítica sobre as relações entre metafísica, estética e mulheres na filosofia. In: ______. (org.). As mulheres e a filosofia. São Leopoldo do Sul: Editora Unisinos, 2002.

XAVIER, Elódia. Que corpo é esse?: o corpo no imaginário feminino. Florianópolis: Editora Mulheres, 2007.

______. Tudo no feminino. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1991.

WOOLF, Virgínia. Um teto todo seu. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.

 

 

SIMPÓSIO 2 – DISCURSO, SEXUALIDADE E MÍDIA: VOZES SILENCIADAS

Dra. Leonor Werneck dos santos, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Dr. Alexandre Sebastião Ferrari Soares, Universidade Estadual do Oeste do Paraná

 

E-mail para envio de propostas: leonorwerneck@gmail.com

 

A análise do discurso é um campo de pesquisa produtivo para compreender a produção social dos sentidos, realizada por sujeitos históricos e por meio de materialidades diversas. O texto e a imagem postos em circulação nos meios de comunicação são objetos privilegiados nas investigações de analistas do discurso de todas as vertentes, uma vez que é possível compreender os movimentos discursivos de produção de sentidos em torno deles: o que desloca e o que rememora sentidos. Diante de tais objetos, a ideologia e a memória como dispositivos teóricos, tendo em vista que se constituem como os fios das redes de sentidos, atravessam e significam os sentidos e os sujeitos (PÊCHEUX, 1995). Propomos analisar, neste simpósio, o funcionamento do discurso nos principais veículos de comunicação a fim de compreender os sentidos produzidos sobre e pelos sujeitos (homos)sexuais sobre a sexualidade e os seus lugares no Brasil e no mundo contemporâneos. Três perguntas nos guiam durante o percurso de realização dessa proposta: a) Diante da proliferação cotidiana de linguagens na mídia, qual é o lugar da memória pessoal, cultural e social dos sujeitos (homos)sexuais (CASSANA, 2016)?; b) Quais deslocamentos são materializados na língua que nos permitem observar as novas formas de significação desses sujeitos nos meios de comunicação (por exemplo, modalização e estratégias de referenciação (KOCH, 2008; SANTOS, CAVALCANTE, 2014)?; c) Quais sentidos postos em circulação retomam memórias sobre a sexualidade de forma a imobilizar sentidos sobre a sexualidade e sobre os sujeitos (SOARES, 2015)? Serão aceitos resumos, nas línguas oficiais do evento, que apresentem pesquisas ainda em elaboração ou já concluídas, que abordem essa temática e discutam os aspectos elencados, enfatizando tópicos como homofobia, machismo, violência associada a gênero, manifestados linguisticamente em gêneros textuais diversos que circulam nas diferentes mídias. Os resumos obrigatoriamente devem citar referencial teórico, objetivos, metodologia e conclusões, ainda que preliminares.

 

Palavras-chave: Discurso, mídias, efeito de sentido, sexualidade, sujeito.

 

 

Referências:

 

CASSANA, Monica F. Corpos impossíveis; A ordem do corpo e a ambivalência da língua no discurso transexual. Tese [Doutorado em Linguística]. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2016.

 

KOCH, Ingedore G. V. As tramas do texto. São Paulo: Lucerna, 2008.

 

PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. 2 ed. Campinas: Ed. da Unicamp, 1995.

 

SANTOS, Leonor W.; CAVALCANTE, M. Referenciação: continuum anáfora-dêixis. Intersecções, v. 12, p. 224-246, 2014.

 

SOARES, Alexandre S. Ferrari. Como resistir à memória que nunca esquece? Dos médicos higienistas à AIDS, da doença como merecimento ao discurso da bancada evangélica. In: SOARES et al. (org.). Discurso, resistência e... .Cascavel: Edunioeste, 2015. p. 21-36.

 

 

SIMPÓSIO 3 – Línguas africanas e afro-brasileiras em debate: descrição, políticas linguísticas e ensino

 

Alexandre António Timbane (Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira- UNILAB, Campus dos Malês, BA)

Sabrina Rodrigues Garcia Balsalobre (UNESP)

E-mail para envio de propostas: alexandre.timbane@unilab.edu.br

 

Resumo da proposta do Simpósio

 

O presente simpósio reunirá pesquisadores que descrevem e discutem sobre as línguas africanas, o português africano e afro-brasileiro, assim como as interferências das línguas europeias nas línguas africanas e vice-versa. Nessa perspectiva se incluem debates sobre os crioulos que são línguas naturais e que ainda não são oficiais embora fossem línguas da maioria. As línguas africanas (especialmente as das famílias niger-congo, khoisan e crioulos) estão em perigo devido às políticas e ao planejamento linguístico adotados pelos governos pós-coloniais em África (SEVERO; MAKONI, 2015; SEVERO, SITOE, PEDRO, 2014). Muitas línguas não têm instrumentos do tipo dicionários, gramáticas publicadas nem padronização ortográfica o que impede o seu ensino. Alguns estudos (NGUNGA, 2014; PETTER, 2015; NGUNGA e FAQUIR, 2011) mostram a necessidade de uma descrição profunda dessas línguas. Alguns países caminham para uma educação bilíngue como forma de recuperar as línguas em perigo assim como devolver a autoestima dos alunos. Os crioulos (em especial os de base portuguesa) são línguas da maioria, mas não possuem nenhum prestígio político e sem valorização na educação. Há necessidade de promover debates e aprofundamento para que sejam produzidos dicionários, gramáticas, padronização ortográfica e materiais didáticos/literários na língua materna do aluno tal como a Declaração Universal dos Direitos Linguísticos aponta (OLIVEIRA, 2003). A formação do português brasileiro se deve à contribuição de línguas africanas trazidas pelos escravizados para o Brasil (FIORIN; PETTER, 2009; GALVES, GARMES, RIBEIRO, 2009). É importante observar/estudar quais os traços mais marcantes da presença dessas línguas na variedade brasileira (LUCCHESI, BAXTER e RIBEIRO, 2009). Em África, o português tende a variar e a mudar influenciado pelas línguas africanas e vice-versa. Estudos mostram que a variedade africana de português criou uma identidade própria e caminha para uma afirmação mais clara (DIAS, 2009; TIMBANE, BALSALOBRE, 2017a,b) que deverá melhorar a qualidade de ensino e combater o preconceito. A língua é ao mesmo tempo cultura, pois é através desta que se transmite realidades socioculturais de um povo.

 

Palavras-chave: Línguas africanas; Crioulos; português africano/ afro-brasileiro; Políticas e ensino.

 

Referências Bibliográficas

DIAS, Hildizina. (Org.). Português moçambicano: estudos e reflexões. Maputo: Imprensa Universitária, 2009

FIORIN; José Luiz; PETTER, Margarida. (Org.). África no Brasil: a formação da língua portuguesa. São Paulo: Contexto, 2009;

GALVES, Charlotte; GARMES, Hélder; RIBEIRO, Fernando Rosa. (Org.). África-Brasil: caminhos da língua portuguesa. Campinas, SP: Ed. Unicamp, 2009.

LUCHESI, Dante; BAXTER, Alan N.; RIBEIRO, Ilza. (Org.). O português afro-brasileiro. Salvador: Ed. UFBA, 2009.

NGUNGA, Armindo. Introdução à linguística bantu. 2.ed. Maputo: Imprensa Universitária, 2014.

NGUNGA, Armindo; FAQUIR, Osvaldo G. Padronização da ortografia de línguas moçambicanas: relatório do III seminário. Maputo: CEA, 2011.

OLIVEIRA, Gilvan Muller de. (Org.). Declaração universal dos direitos linguísticos: novas perspectivas em política linguística. Campinas-SP: Mercado de Letras, 2003.

PETTER, Margarida. (Org.). Introdução à linguística africana. São Paulo: Contexto, 2015.

SEVERO, Cristine G.; MAKONI, Sinfree. Políticas linguísticas Brasil-África: por uma perspectiva crítica. Col. Linguística. v.5. Florianópolis: Insular, 2015.

SEVERO, Cristine; SITOE, Bento; PEDRO, José. (Org.). Estão as línguas nacionais em perigo? Lisboa: Escolar editora, 2014.

TIMBANE, Alexandre António; BALSALOBRE, Sabrina Rodrigues Garcia. (Org.). Língua portuguesa em África: políticas linguísticas e crioulos em debate. 4ª série, nº 31, Lisboa: RILP/AULP, 2017a.

TIMBANE, Alexandre António; BALSALOBRE, Sabrina Rodrigues Garcia. (Org.). África em língua portuguesa: variação no português africano e expressões literárias. 4ª série, nº 32, Lisboa: RILP/AULP, 2017b.

 

 

SIMPÓSIO 4 – FORMAS ESTÉTICAS DAS PERIFERIAS URBANAS: A EVIDÊNCIA DA FRATURA DA FORMAÇÃO DO BRASIL MODERNO

 

Carlos Augusto Bonifácio Leite (UFRGS)

 Walter Garcia (USP)

E-mail para envio de propostas de comunicação: guto.leite82@gmail.com

Resumo da proposta do simpósio: este simpósio busca reunir reflexões e pesquisas em torno das formas estéticas das periferias dos grandes centros urbanos brasileiros, a partir da década de 1980, à luz dos processos de formação do Brasil. A literatura periférica, o rap, o pixo, o cinema e todas as produções que, de maneira mais direta ou mais indireta, representam a violência estruturante de nosso país, a contrapelo de qualquer perspectiva eufórica da formação nacional, ou mesmo de qualquer perspectiva que a relativize. Por esse viés, essas formas criam um contracanto que agora soa como canto de cisne da democracia brasileira, tal se, do lado de lá do véu, o rasgassem. Salvo melhor juízo, essa disrupção tanto impõe certa releitura das produções que tematizaram o Brasil moderno, quanto sugere novas leituras daquilo que se produziu dos anos 1980 para cá.

 

Palavras-chave: periferia; música; literatura; marginalização; violência.

 

Referências bibliográficas:

ADORNO, Theodor W. “O fetichismo na música e a regressão na audição”. Textos escolhidos. Trad. Luiz João Baraúna. São Paulo: Abril Cultural, 1993.

ALAMBERT, Francisco. “A realidade tropical”. Revista do IEB, nº 54. São Paulo, set./ mar. 2013. p. 139-150.

AZEVEDO; Amailton Magno; SILVA, Salomão Jovino da. “Um raio X do movimento Hip-Hop”. Revista da             Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), vol. 7, nº 15. [S. l.], nov. 2014/ fev. 2015. p. 212-239.

 

EBLE, Laeticia Jensen. Escrever e inscrever-se na cidade: um estudo sobre literatura e hip-hop. Brasília, UnB, 2016. Tese (Doutorado em Literatura).

FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. 30ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1995.

GARCIA, Walter. “Elementos para a crítica da estética do Racionais MC’s (1990-2006). Ideias, nº 07. Campinas (SP), 2º semestre de 2013. p. 81-110.

_____________. “Ouvindo Racionais MC’s”. Teresa, revista de Literatura Brasileira, nº 4/5. São Paulo, 2004. p. 166-180.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26ª ed., 11ª reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

IKEDA, Marcelo, LIMA, Dellani. Cinema de Garagem: panorama da produção independente do novo século. Rio de Janeiro, WSET Multimídia, 2012.

KEHL, Maria Rita. “Radicais, raciais, racionais: a grande fratria do rap na periferia de São Paulo”. São Paulo em Perspectiva, vol. 13, nº 3. São Paulo, jul./ set. 1999. p. 95-106.

LEITE, Antonio Eleilson. Mesmo céu, mesmo CEP: produção literária na periferia de São Paulo. São Paulo, EACH-USP, 2014. Dissertação (Mestrado em Filosofia).

NASCIMENTO, Abdias. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. São Paulo: Perspectiva, 2016.

PEREIRA, Alexandre Barbosa. “As marcas da cidade: a dinâmica da pixação em São Paulo”, em Lua Nova, nº79. São Paulo, 2010, p.143-162.

SCHWARZ, Roberto. Seqüências brasileiras. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

TONI C. O Hip-Hop está morto: a história do Hip-Hop no Brasil. 2ª ed. São Paulo: LiteraRUA, 2012.

 

SIMPÓSIO 5 - VOZES DA FRONTEIRA: construção e desconstrução de identidades

 

Vera Lúcia de Oliveira, professora doutora associada de Literaturas portuguesa e brasileira do “Dipartimento di Lettere – Lingue, Letterature e Civiltà antiche e moderne - Università degli Studi di Perugia”;

Paula de Paiva Limão, professora agregada e pesquisadora de Língua portuguesa e brasileira do “Dipartimento di Lettere – Lingue, Letterature e Civiltà antiche e moderne - Università degli Studi di Perugia”.

 

E-mail para envio de propostas: paula.depaivalimao@unipg.it

 

Resumo:

 

No âmbito deste encontro, cujo tema geral é o das “identidades silenciadas”, o nosso simpósio focaliza-se no estudo das vozes de (e da) fronteira, aqui concebida como um espaço real, imaginário ou conceitual onde se exprimem identidades linguísticas, literárias e culturais. Objeto particular da nossa atenção são as vozes silenciadas, marginais ou marginalizadas, que denotam elementos de originalidade e de oposição em relação à cultura canônica ou hegemônica.

A atualidade, aparentemente subordinada a um processo de globalização incessante, suscita o ressurgimento do local, do particular, de vozes dissonantes, expressão de uma nova modernidade e da construção e desconstrução de identidades, na procura de uma identidade que se revele cada vez mais abrangente e múltipla. A linguagem e a escrita deslocam-se assim invariavelmente para fora de si mesmas, na busca da alteridade, e o espaço/fronteira determina uma narração que promove o encontro entre paisagens, populações, línguas, hábitos, literaturas e culturas heterogêneas, questionando a visão eurocêntrica ou etnocêntrica do mundo. Deste modo, criam-se estratégias de resistência ligadas a um conceito de cultura como instância plástica, criadora de significado e valor, em que as identidades potencialmente se podem reescrever.

Neste contexto, as “novas identidades” exprimem–se com uma língua e uma literatura não perfeitamente monolíticas, que oscilam e se tornam flexíveis, suscitando uma progressiva revisão dos cânones tradicionais de uso e descrição das mesmas e apelando cada vez mais para a nossa capacidade de intercompreensão linguística, literária e cultural.

 

Palavras-chave: FRONTEIRA, IDENTIDADES CULTURAIS, VOZES MARGINAIS, VOZES SILENCIADAS, CONSTRUCÃO/DESCONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA.

 

Referências Bibliográfica:

 

ANOLLI, Luigi. La mente multiculturale, Editori Laterza e Il Sole 24 Ore, Bari, 2009.

BAUMAN, Z., Modernità liquida, Bari, Laterza, 2010.

BENHABIB, S. La reivindicazione dell’identità culturale. Eguaglianza e diversità nell’era globale, Il Mulino, Bologna, 2005.

BHABHA, Homi K. I Luoghi della cultura, Meltemi Editore, Roma, 2001.

BHABHA, Homi K., Nazione e narrazione, Meltemi Editore, Roma, 1997.

BOSINELLI, Rosa et al, Oltre l'Occidente. Traduzione e alterità culturale. Firenze, Giunti, 2013.

DALCASTAGNÈ, Regina, “Uma voz ao sol: representação e legitimidade na narrativa brasileira contemporânea”, in Estudos de Literatura Brasileira, n° 20, Brasília, julho/agosto 2002, 33-87.

DALCASTAGNÈ, Regina, “A personagem do romance brasileiro contemporâneo: 1990-2004”, in Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, n° 26. Brasília, julho-dezembro, pp. 13-71.

DALCASTAGNÈ, Regina, Literatura brasileira contemporânea: um território contestado, Vinhedo, Editora Horizonte, Rio de Janeiro, Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2012.

FARACO, Carlos Alberto, História sócio-política da língua portuguesa, São Paulo, Parábola Editorial, 2016.

HEFFERMAN, Teresa, Post-Apocalyptic Culture: Modernism, Postmodernism and the Twentieth–Century Novel, Bufalo, Toronto, University of Toronto Press, London, 2008.

MIGNOLO, Walter D., Local histories/Global Designs. Princeton University Press, 2000.

STUART, Hall, GAY, Paul Du (Edited by), Questions of Cultural Identity, London, SAGE Publications, 1996.

 

 

SIMPÓSIO 6 – Autopublicação e Movimento Cartoneiro: vozes da resistência na literatura periférica

 

Alessandra Paula Rech. Doutora em Letras - Literatura Brasileira (UFRGS).

Docente na Universidade de Caxias do Sul (UCS).

Prof. Dr. Pedro Mandagará Ribeiro

Prof. Adjunto da Universidade de Brasília e pesquisador do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea (GELBC)

 

E-mail para envio de propostas: palavrear@gmail.com

 

 

3) Resumo:

As publicações independentes, que no Brasil têm como manifestações-chave a Literatura de Cordel e a Geração Mimeógrafo, reaparecem com força nas décadas iniciais do século XXI. Se, nos seus mais de 500 anos de história, desde Portugal, o Cordel aparecia no "interstício" (Bhabha, 1998) possível entre o analfabetismo e a elite ilustrada, na última década, a literatura caracterizada pela autopublicação, os coletivos de impressão e o Movimento ‘Cartoneiro’ (que surge na Argentina por volta de 2004) responde não só às necessidades materiais, mas ao imaginário da pós-modernidade, tempo em que "deslizamos de uma concepção de mundo egocentrada à outra locuscentrada" (Maffesoli, 2003, p.8). Entendendo a "cultura como resistência e produção de novos sentidos políticos em países em desenvolvimento inseridos no contexto da globalização, a literatura também mostra algumas propostas e mudanças estruturais no sentido de sua criação e divulgação" (Hollanda, 2017). Trata-se de uma pluralidade de expressões à margem, diante de uma força de exclusão provocada pela existência de grandes editoras do mercado transnacional, com catálogos cada vez mais limitados às obras de consumo massivo. Observar os movimentos literários periféricos permite entender melhor seu funcionamento nas engrenagens da economia criativa. Além dos mecanismos de organização coletiva para um posicionamento alternativo no mercado, interessa-nos investigar de que forma esse lugar demarcado na arbitrariedade das condições de produção e de circulação se expressa no texto literário. Propomos para este simpósio trabalhos de cunho reflexivo a respeito da cadeia da publicação independente, desde a articulação que as provê materialmente, às dimensões inventivas e políticas presentes nos textos (Jameson, 1992), na autenticidade possível quando não se escreve para atingir metas editoriais, mas para expressar subjetividades em suas "micro-utopias", como define Bourriaud, 2009.
 


 

4) Palavras-chave (até 5); autopublicação; Movimento Cartoneiro; mercado editorial; cultura; periferia.

5) Referências bibliográficas: 

BHABHA, H. K. O local da cultura. Tradução de  Myriam Ávila, Eliana Lourenço de Lima Reis, Gláucia Renate Gonçalves. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.  

BOURRIAUD, N. Estética relacional. São Paulo: Martins Fontes, 2009

HOLLANDA, H. Literatura marginal. Site Heloísa Buarque de Hollanda, 11 de setembro de 2017. Disponível em http://www.heloisabuarquedehollanda.com.br/literatura-marginal/. Acesso em 14 de novembro de 2017.

JAMESON, F. O inconsciente político: a narrativa como ato socialmente simbólico. São Paulo: Ática, 1992.

MAFFESOLI, M. O instante eterno: o retorno do trágico nas sociedades pós-modernas. Porto Alegre: Zouk, 2003.

 

 

SIMPÓSIO 7 - POSTURAS LINGUÍSTICAS DECOLONIAIS

 

Tânia Ferreira Rezende. Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professora na Universidade Federal de Goiás (UFG)

E-mail para envio de propostas: taniaferreirarezende@gmail.com

 

O neoliberalismo, “entendido como o discurso hegemônico de um modelo civilizatório [e como] a síntese  dos pressupostos e dos valores básicos da sociedade liberal moderna” (Lander, 2005, p. 21), fundamenta o modo de ver e significar o mundo na contemporaneidade. Esse discurso naturaliza os conhecimentos válidos e as línguas de veiculação dos conhecimentos. Esse modelo civilizatório vem sendo construído, desde as grandes navegações, no século XV, constituindo o sistema-mundo (Walerstein, 1974) eurocêntrico, isto é, a Europa no centro, a Ásia, a África e a América nas bordas do poder mundial. Depois da Segunda Guerra, o poder mundial é reconfigurado e as línguas de conhecimento são o inglês, o francês e o espanhol, com franca dominação do inglês. Fundamentados na ontologia que separa e opõe homem e natureza; sujeito e objeto, os projetos de modernidade (colonial, ocidental, liberal e neoliberal) desconsideraram e subalternizaram os conhecimentos e as línguas dos povos situados à margem do geopoder civilizatório, promovendo, assim, maciçamente identicídio, linguicídio e epistemicídio. Tais práticas são naturalizadas e consideradas importantes empreendimentos na construção das sociedades modernas e desenvolvidas. Pretendemos congregar, neste simpósio, pesquisadoras/es interessadas/os em discutir sobre práticas sociolinguísticas, que refletem posturas políticas e linguísticas decoloniais, com o objetivo de desnaturalizar os discursos hegemônicos sustentadores dos valores coloniais que mantêm às margens das sociedades de conhecimento os povos historicamente subalternizados pelos projetos da modernidade, tais como: os povos ameríndios, os ciganos, os afro-descendentes, surdos, os imigrantes, os camponeses etc. Serão bem vindos trabalhos vinculados aos campos da Política Linguística, do Planejamento Educacional, da Sociolinguística, em suas diversas vertentes, como a sociolinguística variacionista, sociolinguística educacional, sociolinguística interacional, sociolinguística contemporânea, de forma articulada ao paradigma da decolonialidade (LANDER, 2005; MIGNOLO; 2003; GONZALEZ, 2002, entre outros/as), com o objetivo de refletir sobre práticas sociolinguísticas subalternizadas, não legitimadas, nas suas possibilidades de linguajamento (MINGNOLO, 2003).

 

Palavras-chave: Posturas sociolinguísticas. Decolonialidade. Subalternização.

                                                                      

Referências Bibliográficas

 

GONZALEZ STEPHAN, Beatriz. Escrituras de memórias subalternas. Texto Crítico. Nueva época, enero-junio 2002, no. 10, p. 21-34.

 

GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: SILVA, Luiz Antônio Machado et alii. Movimentos sociais urbanos, minorias étnicas e outros estudos. Brasília, ANPOCS, 1983. p.223-44. (Ciências Sociais Hoje, 2.)

 

LANDER, Edgardo. (org.). A Colonialidade do Saber: Eurocentrismo e ciências sociais: Perspectivas latino-americanas. Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina: Colección Sur Sur, CLACSO, 2005.

 

MIGNOLO, Walter. Histórias Locais, Projetos Globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Trad. Solange Ribeiro de Oliveira. Belo Horizonte: UFMG, 2003.

 

WALLERSTEIN, Immanuel. The modern world-system (San Diego/Nova Iork: Academic Press) Tomo I, 1974.

 

 

SIMPÓSIO 8 - Práticas de letramentos: identidade linguística e prestígio social em conflito

 

Laura Silveira Botelho

Doutora em Linguística

Universidade Federal de Goiás

 

Patrícia Rafaela Otoni Ribeiro

Doutora em Linguística

Universidade do Estado do Amazonas

 

E-mail para envio de propostas: laurabot@hotmail.com

 

 

Resumo: Em função das mudanças históricas nas políticas de acesso à educação básica e movimento de expansão de vagas no ensino superior no Brasil nos últimos anos, a diversidade de identidades linguísticas e sociais traz desafios no que tange às práticas de leitura, escrita e oralidade, especialmente no que se refere às pressões sociais atreladas à dimensão de prestígio da norma culta do português brasileiro (FARACO, 2008). Este simpósio agrega estudos relacionados à sociolinguística e ensino, envolvendo práticas de letramentos, por meio de gêneros textuais orais e escritos. Abarcam-se fenômenos e processos envolvidos na variação linguística do português brasileiro, especialmente no que tange aos continuum rural-urbano, oralidade-letramento e monitoração estilística (BORTONI-RICARDO, 2004) e/ou ao processo ensino-aprendizagem, discutindo metodologias, experiências e desafios presentes nos cursos de graduação, tanto no âmbito da formação de professores quanto às práticas pedagógicas frente às variedades linguísticas e diferentes práticas sociais. Este GT tem, portanto, como objetivo reunir pesquisas (concluídas ou em andamento) que estejam centradas em discussões sobre variação linguística (LABOV, 1972) no ensino, estejam centradas em discussões sobre variação linguística (LABOV , 1972) no ensino, escrita como um ato de identidade (IVANIC, 1998), leitura e escrita como práticas sociais (STREET, 2010), língua como identidade (BAKHTIN, 1929/2006) e prestígio social (BORDIEU, 1977). Também serão de interesse trabalhos que promovam reflexões sobre produção e compreensão de gêneros acadêmicos orais e escritos de diferentes correntes teóricas.  Serão contemplados trabalhos com abordagens de cunho linguístico, discursivo, histórico, ideológico e/ ou sociológico.

Palavras-chave: Letramentos. Sociolinguística. Identidade. Prestígio. Gêneros Textuais

 

Referências Bibliográficas 

 

BAKHTIN, Michail. (VOLOCHÍNOV).Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método

problemas fundamentais do método sociológico da linguagem. São Paulo: Hucitec, 1929/2006.

 

BORTONI-RICARDO, Stella Maris.Educação em língua materna: a sociolinguística  na sala de aula. São Paulo: Parábola, 2004.

 

BORDIEU, P . A economia das trocas linguísticas. Trad. Paulo Montero. In: ORTIZ, R. Pierre Bourdieu. São Paulo: Ática, 1994. (Original: Langue Française, 34, maio 1977).

FARACO, Carlos Alberto. Norma culta brasileira: desatando alguns nós. São Paulo: Parábola, 2008.

 

IVANIC, Roz. Writing and identity: the discoursal construction of identity in academic writing. Amsterdam: John Benjamins, 1998.

writing. Amsterdam: John Benjamins, 1998.

 

LABOV , W. Sociolinguistic Patterns. Pennsylvania: University of Pennsylvania Press, 1972.

 

SOARES, Magda. Linguagem e Escola: uma perspectiva social. São Paulo: Ática, 1986.

 

STREET , Brian. Academic Literacies approaches to genre? Revista Brasileira de Linguística Aplicada, Belo Horizonte, v. 1, n.2, p.347-362, ago. 2010a. Trimestral.

 

 

SIMPÓSIO 9 - Poesia e desenraizamento: exílio, resistência e pós-utopia

Profa. Dra. Diana Junkes (UFSCar)

Prof. Fabio Weintraub (UFSCar)

 

E-mail para envio de propostas: fabioweintraub@gmail.com

Refletindo sobre os critérios que deveriam orientar a reconstrução da Europa após o fim da Guerra, Simone Weil (1943) considera o enraizamento, uma “das mais importantes e mais desconhecidas necessidades da alma humana”, que se define pela “participação real, ativa e natural em uma coletividade que conserva vivos certos tesouros do passado e certos pressentimentos do futuro”. Tal participação não é de caráter reacionário ou nostálgico e sua quebra (em situações de conquista colonial, dominação econômica, migrações forçadas, exílio, perda de acesso à terra e à cidade, de trabalho reificado, desemprego, destituição de direitos etc.) tem enorme impacto cultural e subjetivo, expressando-se sob a forma de perda de identidade, amnésia social e melancolia coletiva. A partir de  Fernandes (2016), pode-se afirmar que a poesia brasileira mais recente, numa sociedade que não superou nem a escravidão nem o racismo, tem sintonizado os sintomas do desenraizamento, figurando uma relação insegura e sísmica “com a terra, ou a cidade ou o país”, em obras sobre a destruição do planeta e o genocídio indígena, a espoliação do corpo e o abalo dos espaços íntimos. Para além da poesia brasileira, notam-se os mesmos sintomas nas produções poéticas de outros países. O objetivo deste simpósio é examinar, na poesia brasileira, sobretudo a recente, e na poesia de outros países, manifestações do desenraizamento na relação com o próprio corpo, a cidade, os territórios. Busca-se ainda refletir sobre formas de resistência a esse estado de coisas no contexto da poesia pós-utópica, tal como formulada por Haroldo de Campos (1997), a partir, entre outros, de Walter Benjamin. A “agoridade” pós-utópica implica uma leitura ativa do passado, crítica das visões paradisíacas de futuro. Articulando a reflexão sobre história coletiva e participação, a pós-utopia propõe um modo de engajamento poético que é político e crítico.

Palavras-chave: poesia brasileira contemporânea; desenraizamento; pós-utopia.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BENJAMIN, Walter (1986). Sobre o conceito da história. In: BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, v. 1, p. 222-235

BOSI, Ecléa (2003). O que é desenraizamento. In: BOSI, Ecléa. O tempo vivo da memória. Ensaios de Psicologia Social. São Paulo: Ateliê Editorial, p. 175-183.

CAMPOS, Haroldo (1997). Poesia e modernidade: Da morte do verso à constelação. O poema pós-utópico. In: CAMPOS, Haroldo de. O arco-íris branco. Rio de Janeiro: Imago, p. 243-269.

FERNANDES, Pádua (2016). A perda da terra e a poesia contemporânea brasileira. Cão Celeste, v. 10, Lisboa, p. 99-111.

JUNKES, Diana. Constelações pós-utópicas: sobre a poesia de Haroldo de Campos. Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 51, p. 155-181, maio/ago. 2017.

WEIL, Simone [1943] (1999). L’enracinement. Prélude à une déclaration des devoirs envers l’être humain. In: WEIL, Simone. Simone Weil: Œuvres. Paris: Quarto Gallimard, p. 1025-1217.

 

 

SIMPÓSIO 10 - Ilhas e arquipélagos em contato - Literaturas, línguas e culturas ibero-afro-americanas

 

Dr. Amilton José Freire de Queiroz – Universidade Federal do Acre - (UFAC)

Dra. Simone de Souza Lima – Universidade Federal do Acre – (UFAC)

 

E-mail para envio de propostas: amiltqueiroz@hotmail.com

RESUMO:

 

O presente simpósio se dispõe a refletir sobre a articulação entre Literatura, Língua e Cultura, pondo em relevo a mobilidade do imaginário das trocas e transferências culturais, literárias e epistemológicas no circuito ibero-afro-americano. Dessa forma, as diretrizes críticas estão amparadas na Teoria da Literatura, Literatura Comparada, Estudos Culturais e Estudos Pós-coloniais, compreendidos a partir de autores como Jonathan Culler, Eneida Maria de Souza, Ivete Walty, Thomas Bonnici, Antoine Compagnon, Homi Bhabha, Edward Said, Stuart Hall, Benjamim Abdala Junior, Tania Carvalhal, Eduardo Coutinho, Zilá Bernd, Eurídice Figueiredo, Laura Cavalcante Padilha, Angel Rama, Cornejo Polar e Hugo Achugar. Pondo essa constelação teórica em diálogo, o simpósio acolhera trabalhos que se mostrem sensíveis ao estudo dos novos mapas geo-literários, geo-históricos, geo-antropológicos, geo-linguísticos e geo-culturais elaborados por ficcionistas, poetas, dramaturgos e intelectuais ibero-afro-americanos. Esses agentes da escrita esticam os fios da polifonia transterritorial, linguística e intercultural nas vias plurais do imaginário, figurando cenas de um hibridismo cuja atmosfera flagra o deslocamento de pátrias imaginárias nascidas sob a imagem da opacidade do sentir, agir e fazer cotidiano. Destarte, o simpósio é um convite para compreender as identidades e as fronteiras ibero-afro-americanas na filigrana do provisório, da mobilidade e da dicção de imagens e discursos que pontificam o que há de uno e diverso na escritura literária.  A partir do trânsito pelo pensamento rizomático, o simpósio Literaturas, línguas e culturas em contato será, portanto, um espaço para conjugar a metáfora da passagem como território onde as marcas do nacional, transnacional e intercultural deixam-se relevar através figuração de identidades e mobilidades nas ilhas e arquipélagos do texto literário ibero-afro-americano. 

 

PALAVRAS-CHAVE: Literatura; Língua; Cultura; Contato; Ibero-afro-América.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ABDAJA JUNIOR, Benjamim. Literatura comparada e relações comunitárias, hoje. São Paulo: Ateliê Editorial, 2012. 

ACHUGAR, Hugo. Planetas sem boca: escritos efêmeros sobre Arte, Literatura e Cultura. Trad. Lysley Nascimento. Belo Horizonte, Editora UFMG, 2006. 

BERND, Zilá. Afrontando fronteiras da literatura comparada: da transnacionalidade à transculturalidade. Revista Brasileira de Literatura Comparada, v. 1, 211-222, 2013.

BHABHA, Homi. O Local da Cultura. Trad. Myriam Ávila. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998.

CARVALHAL, Tania. O próprio e o alheio: ensaios de literatura comparada. São Leopoldo: Editora UNISINOS, 2003.

COUTINHO, Eduardo. Mutações do comparativismo no universo latino-americano: questões da historiografia literária. In. SCHMIDT, Rita Terezinha et al. (Org). Sob o signo do presente: intervenções comparatistas. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2010, p. 31-42. 

COUTINHO, Eduardo. Da transversalidade da Literatura Comparada. In: WEINHARDT, Marilene &

COUTINHO, Eduardo. Transferências e trocas culturais na América Latina. In: José Luís Jobim et al.. (Org.). Lugares dos discursos: o local, o regional, o nacional, o internacional, o planetário. 01ed. Niterói: Editora EdUFF, 2006, v. 00, p. 218-232.

CULLER, Jonathan. Teoria literária hoje. In: CECHINEL, Andre et al (Org). O lugar da teoria literária. Florianópolis: EdUFSC; Criciúma: Ediunesc, 2016. p. 395-417.

HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Trad. Adeline La Guardia Resende. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013.

FIGUEIREDO, Eurídice. Literatura Comparada: o regional, o nacional e o transnacional. Revista Brasileira de Literatura Comparada, v. 23, p. 31-48, 2013.

PADILHA, Laura Cavalcante. A África e suas fonias – impasses e resgate. In: PONTES, Geraldo e ALMEIDA, Claudia (Orgs). Relações literárias internacionais: lusofonia e francofonia. Niterói/ Rio de Janeiro: EdUFF/de Letras, 2007. P. 103-116.

RAMA, Angel. Regiões, culturas e literaturas. In. AGUIAR, Flávio; VASCONCELOS, Sandra Guardini T. Tradução de Raquel Corte dos Santos, Elsa Gasparotto. São Paulo, Editora da Universidade de São Paulo, 2001.  

166.

SAID, Edward. Representações do intelectual: as conferências Reith de 1993. Trad. Milton Hatoum. São Paulo, Companhia das Letras, 2005.

SOUZA, Eneida Maria. Tempo de pós-crítica: ensaios. 2 ed. Belo Horizonte: Veredas e Cenários, 2012.   
WALTY, I. L. C.. Literatura comparada: transculturação e espaço público. Organon (UFRGS), v. 27, p. 83-103, 2012.

 

 

SIMPÓSIO 11 - POESIA BRASILEIRA: VOZES SILENCIADAS

 

Prof. Dr. Carlos Frederico Barrére Martin (Unicamp)

Profa. Dra. Viviana Bosi (USP)

 

E-mail para envio de propostas: carlosfbmartin@gmail.com

Resumo:

No processo de construção de um cânone literário, muitos autores acabam sendo negligenciados e, pouco a pouco, esquecidos pelas gerações subsequentes. No caso da poesia brasileira, esse processo foi marcado pelo ímpeto combativo dos movimentos artísticos do século XX, os quais, ao mesmo tempo que estabeleciam seu programa poético, definiam o corpus a ser estudado nas recém-formadas universidades do país.

Assim, os recortes teóricos e estéticos do modernismo de 1922, da geração de 1945, da poesia concreta nos anos 1950 ou mesmo da poesia marginal, na década de 1970 ainda são bastante decisivos na produção crítica das universidades. Tal processo não é homogêneo, pois mesmo entre esses movimentos há linhas de continuidade e ruptura. A tensão entre essas linhas acabou constituindo um cânone da poesia brasileira que só recentemente passou a ser relativizado por novos estudos. O simpósio Poesia brasileira: vozes silenciadas se propõe a fomentar o debate sobre a produção poética do país sob de modo a revalorizar autores marginalizados e iluminar pontos obscurecidos da obra de poetas consagrados. Para tanto, estabelecem-se três linhas de reflexão:

 

1. “Vozes silenciadas”: reflexões sobre a obra de poetas marginalizados, seja por processos de exclusão de ordem social (por classe, gênero, etnia ou orientação sexual), geográfica (poetas de regiões distantes dos grandes centros urbanos) ou literárias (poetas que foram estigmatizados por se oporem a programas poéticos majoritários);

 

2. “A voz do outro”: reflexões sobre a obra de poetas que problematizem seu “lugar de fala”, medindo a distância entre sua própria voz e outras vozes do tecido social brasileiro, ou que formulem soluções estéticas estabelecendo vínculos entre essas diferentes vozes.

 

3. “O outro da voz”: reflexões sobre aspectos normalmente negligenciados da obra de poetas consagrados, que relativizem os juízos críticos preestabelecidos e proponham novas perspectivas de leitura.  

 

Palavras-chave: Poesia, cânone, marginalização, silêncio, fala.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

BASTIDE, R. Poetas do Brasil. São Paulo: Edusp e Duas Cidades, 1997.

BASTIDE, R. A poesia afro-brasileira. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1943.

BRITO, Antonio Carlos. Não quero prosa (org. de Vilma Arêas). Campinas: Ed. UNICAMP; Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 1997.

COSTA, Horácio. O cânone impermeável: homoerotismo nas poesias brasileira, portuguesa e mexicana do modernismo. In: COSTA, Horácio et al. Retratos do Brasil homossexual: Fronteiras, subjetividades e desejos. São Paulo: Edusp/Imprensa Oficial, 2010.

HOLLANDA, H.B. de (org.) Tendências e impasses. O feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

SCHWARZ, Roberto (org.). Os pobres na literatura brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1983.

 

 

SIMPÓSIO 12 - LITERATURA E REPRESENTAÇÃO:  INDÍGENA E IDENTIDADE NA LITERATURA BRASILEIRA

 

Danglei de Castro Pereira

Doutor em Literatura Comparada

Universidade de Brasília - UNB

 

Henrique Roriz Aarestrup Alves

Doutor em Literaturas de Língua Portuguesa

Universidade do Estado de  Mato Grosso – Unemat

 

E-mail para envio de propostas: henriqueroriz@unemat.br

 

Resumo:

Este simpósio congrega estudos que focalizam a representação do indígena como elemento constitutivo da construção da identidade nacional no Brasil em dialogo com as diferentes matrizes formativas da cultura brasileira. As propostas de pesquisa apresentadas para o simpósio investigam temas como a migração e diálogo intercultural do nativo e do europeu como interfaces das diferentes representações literárias do indígena na América Latina, pensados como espaço da mimesis artística enquanto constructo literário e cultural. Investigaremos formas de materialização da identidade nacional na literatura brasileira em um percurso de resgate de valores culturais em formação desde os movimentos migratórios formativos da cultura brasileira em momentos de formação histórica, bem como os deslocamentos formativos desta identidade até os dias atuais.  Levamos em consideração a presença de elementos antropófagos, conforme Oswald de Andrade (1922) na tradição literária brasileira ao pensar a diversidade literária que trata a representação do indígena na literatura brasileira em contato com obras produzidas na América Latina.  As propostas de investigação discutem, neste simpósio, os recursos estilísticos que delimitam os elementos constituintes da identidade cultural no Brasil e a expressão das matrizes formativas desta identidade à luz de conceitos como identidade, antropofagia em Oswald de Andrade e representação literária via memória, pensadas por meio da materialidade do indígena nos textos que compõe os diferentes recortes ficcionais investigados nos trabalhos apresentados no simpósio. 

 

Palavras-Chave: Literatura brasileira. Identidade. Cultura. Narrativa brasileira. Migração. Indígena.

 

Referências Bibliográficas

AUERBACH, E. Mimesis: a representação da realidade na literatura colonial. São Paulo: Perspectiva, 1971.

BERND, Z. Literatura e identidade nacional. 2 ed. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2003.

BHABHA, H. O Local da Cultura. Trad. de Myriam Avila, Eliana Lourenço de Lima Reis, Glaucia Renate Gonçalves. Belo Horizonte: ed. UFMG, 2003.

CANCLINI, Nestor Garcia. Culturas híbridas. Trad. Ana Regina Lessa, Heloisa Pezza Cintrão. São Paulo: EDUSP, 2000.

CHALHOUB, S. ; PEREIRA, L. A. M. de (Orgs.). A história contada: capítulos de história social da literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1998.

CHARTIER, R. História intelectual e história das mentalidades. In: À beira da falésia: a história entre certezas e inquietudes. Porto Alegre: UFRGS, 2002, p. 23-60.

CHARTIER, R. A história Cultural: entre práticas e representações. Rio de Janeiro: DIFEL, 1990.

CHINARD, G. Abregé du Droit de la Nature et des Gens. Paris Benteli: 1994

HALL, S. Da Diáspora: identidades e mediações culturais. Trad. Adelaine La Guardia Resende... [ et al]. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

HOLANDA, S. B de. Visão do paraíso: os motivos edêmicos no descobrimento e colonização do Brasil. 6.ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.

Mendes, A. M. Maria Firmina dos Reis e Amélia Beviláqua na história da literatura brasileira: representação, imagens e memórias nos séculos XIX e XX. Rio Grande do Sul: PUC-RGS, 2007. Tese de Doutorado em Teoria Literária.

PESAVENTO, S. J. Fronteiras da Ficção: Diálogos da história com a literatura. Revista de História das Ideias - UFRGS. Vol. 21 (2000).

SANTOS, L. A. O. dos O percurso da indianidade na literatura brasileira: matizes da figuração. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009.

SCHWARZ, R. Nacional por subtração. In: Bornheim, G. et. alli. Cultura Brasileira: Tradição/Contradição. Rio de Janeiro: Jorge Zahar/FUNARTE, 1987.

II CONGRESSO INTERNACIONAL LÍNGUAS, CULTURAS E LITERATURAS EM DIÁLOGO: IDENTIDADES SILENCIADAS - 16 a 18 de agosto de 2018 - Universidade de Brasília - DF - Campus Universitário Darcy Ribeiro - Asa Norte - Brasília - Brasil

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